Breve histórico da Estação Ecológica de Itaberá
Confira a história e as fotos da Estação Ecológica de Itaberá Curiosidades Destaques | 19 de janeiro de 2012
Em torno do ano de 1895, a área onde hoje se encontra a Estação Ecológica de Itaberá era de propriedade do Cel. José Pedro de Lima e do Sr. Joaquim Flaviano de Lima, a propriedade foi vendida algum tempo depois para o casal Augustinho Silvério Lobo e Pedrina Maria de Jesus. Em março de 1916 o casal vendeu uma parte da propriedade para o Sr. Francisco Gonçalves Mendes Junior, conhecido como Chico Menino, que alguns anos depois se tornou proprietário integral da fazenda.
Com a morte de Francisco Gonçalves em 1948 a fazenda se tornou propriedade do Sr. Filisbino Correia Machado (dai veio o fato de a área ser conhecida como “Mata do Bino”) e sua esposa Maria José Mendes que tiveram uma filha de nome Isolina, que casou-se com o Sr. Paulo Grott. Com a morte de Filisbino em 1955, a viúva Maria José ficou no comando da fazenda. No mesmo ano estava em andamento a supressão da vegetação dentro da propriedade, realizado em parte pelo Sr. Jacomo Falçareli. Na ocasião o prefeito municipal, que era o senhor Antenor Portes, reativou um processo de desapropriação da área, iniciado em gestões anteriores. Com o pedido de desapropriação imposto pela prefeitura, muitos cidadãos contribuíram para isso tornasse possível, entre ele destacaram-se Mauricio Pereira de Almeida, Antonio Flavio de Souza (Tonico Saturnino), Alfrio Nunes, entre outros, mas a proposta não foi aceita pela Sra. Maria José Mendes.
Em 1957 por ocasião da festa nacional do trigo em Itaberá, ainda na gestão de Antenor Portes, visitaram a cidade o vice governador de Janio Quadros, o General Porfírio da Paz, e o Deputado Augusto Amaral, que era proprietário de uma fazenda próxima a cidade. Foi dessa visita e dos futuros acertos com a Sra. Maria José, que em 11 de agosto de 1957 o governador Janio Quadros baixou o Decreto nº 29.881, o qual determinava que uma área de 180 hectares da propriedade da Sra. Maria José Mendes passaria a ser denominada de Reserva Florestal de Itaberá. A área persistiu como Reserva Florestal de Itaberá até 12 de março de 1987, quando com um novo decreto do governo estadual, de número 26.890, mudou a unidade de categoria e denominação, passando a ser Estação Ecológica de Itaberá.
A administração da reserva foi realizada pelo Instituto Florestal até 2007, quando foi passada para a Fundação Florestal, após a RESOLUÇÃO SMA – 16, DE 3-4-2007 que Dispõe sobre a organização do Sistema Estadual de Florestas – SIEFLOR no âmbito da Secretaria do Meio Ambiente e dá outras providências.
Enquadramento técnico da unidade
A Estação Ecológica de Itaberá é uma Unidade de Conservação do Tipo Proteção Integral, definida pelo SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação) como área onde se objetiva a preservação da natureza e produção de pesquisas cientificas, sendo admitida visitação apenas com o propósito de educação ambiental, dependendo esta de autorização prévia de seu órgão gestor. Com uma área de 180 ha, a reserva possui um relevo levemente ondulado, inserido na depressão periférica do Estado de São Paulo. O ecossistema é representado predominantemente por Mata Atlântica
Estacional Semidecídual, com presença constante de indivíduos de Araucaria angustifólia (Bertol.) Kuntze, espécie esta ameaçada de extinção. Quanto aos animais, pode se observar a presença de vários na unidade, como por exemplo: tatu, esquilo, bugil, cateto, entre outros.
Importância da unidade para o município
A Estação Ecológica dentro do contesto municipal, se insere como uma área de grande relevância, por preservar um importante patrimônio de biodiversidade, servir de local para atividades relacionadas a educação ambiental, além de proporcionar base para eventuais estudos que servirão futuramente de subsidio para futuras intervenções que visem a proteção da biodiversidade.
Funcionários
O primeiro administrador da Estação Ecológica de Itaberá foi o Dr. Miguel Arcanjo Brasil, que foi sucedido em seqüência por Bruno Magossi, Amadeo Lopes, Dr. Manoel de Azevedo Fontes e Dr. Ananias de Almeida Saraiva Pontinha, ambos últimos do Instituto Florestal. O Dr. Ananias de Almeida Saraiva Pontinha juntamente com o funcionário da Fundação Florestal e gestor da unidade, Tecnólogo Diego Rodrigo Ferraz, são atualmente os responsáveis pela gestão administrativa da dependência. Os funcionários responsáveis pela manutenção da unidade, por ordem de adesão desde a fundação da reserva foram: Onofre, Jonathan, Natalio, José Brizola, Xisto, Dito Cambucá, João Moraes dos Santos, Diocleciano Adão Lopes e atualmente Juarez Ferreira e Moacir Gonçalves dos Santos.
Problemas enfrentados pela unidade
As maiores dificuldades enfrentadas no momento na Unidade é a entrada de pessoas não autorizadas nos limites da mesma, com o intuito de caçar (lembrando que caçar animais silvestres é um crime ambiental com pena de detenção de seis meses a um ano, e multa) ou mesmo circular pela unidade com outros propósitos, tendo em vista que a entrada de pessoas não autorizadas é proibida. Outro grande problema é a circulação de animais domésticos, como cachorros por exemplo, que perturbam de forma expressiva a fauna da reserva.
Curiosidade
Amadeo Lopes administrou a dependência por mais ou menos oito anos e foi ele quem construiu a primeira casa de madeira na reserva, com madeira retirada da própria dependência a qual foi serrada na forma de à meia (metade para cada um) com a serraria Falçareli, antes existia apenas uma casa de barro na então Reserva Florestal.
Confira as fotos: